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LEMBRANÇAS DE SÃO PAULO:
O Interior Paulista



Formato fechado 23x32cm. Capa dura com plastificação. 200 páginas a cores, 
papel couché 170g.  R$ 128,00



APRESENTAÇÃO

No começo do século XX era possível percorrer quase todas as localidades importantes do interior do Estado de São Paulo, através de uma extensa malha ferroviária, gerida por companhias que se expandiam exercendo predominância regional.

A viagem visual pretendida pelo livro Lembranças de São Paulo: o Interior Paulista nos cartões-postais e álbuns de lembranças, tem por base o itinerário das diversas estradas de ferro que trafegavam pelo território paulista, percorrendo suas linhas tronco, ramais e sub-ramais, descendo nas estações e visitando as diversas cidades servidas ao longo do percurso.


A obra contém aproximadamente 470 imagens, do período compreendido entre 1897 e aproximadamente 1930, repartidas em 200 páginas, retratando locais e cenas significativas num itinerário por cidades como Campinas, Ribeirão Preto, Piracicaba, Rio Claro, Sorocaba, São José dos Campos, Guaratinguetá, Pindamonhangaba e inúmeras outras do interior, dentre as mais expressivas, seguindo os trilhos das antigas ferrovias que sulcavam o Interior Paulista: São Paulo Railway, Estrada de Ferro Bragantina, Estrada de Ferro Central do Brasil, Estrada de Ferro Campos do Jordão, Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Companhia Ramal Férreo de Santa Rita, Companhia Mogiana, Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Araraquara e Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Muitas das imagens são verdadeiras raridades, nalguns casos últimos remanescentes de fotografias retratando locais de grande interesse histórico, reproduzidas com aprimorada qualidade gráfica, para preservá-las como documentos inestimáveis de sua época. Por essa razão, acreditamos que este trabalho, o mais completo em termos iconográficos até agora empreendido em torno do conjunto das cidades citadas, poderá tornar-se de interesse e consulta permanente por parte do grande público.

Seus autores são João Emilio Gerodetti, detentor de vasto acervo iconográfico e bibliográfico, e Carlos Cornejo, jornalista, escritor e produtor gráfico. Ambos, criadores dos dois volumes antecedentes da mesma obra, que compõem a trilogia Lembranças de São Paulo: a Capital Paulista e Lembranças de São Paulo: o Litoral Paulista.

A obra sobre o interior paulista é o resultado de ampla pesquisa e reproduz parte do mais valioso e diversificado acervo existente sobre o Estado de São Paulo. Trata-se de um trabalho documental nascido da constatação de que a documentação fotográfica mais importante sobre as cidades paulistas, em termos de qualidade estética e gráfica, é o representado pelas imagens contidas em cartões-postais e álbuns de lembranças. Valioso acervo até agora não devidamente valorizado na sua dimensão social e histórica, nem preservado com vistas ao registro da memória dos locais retratados.

Capítulos importantes são os relativos às fazendas de café, imigrantes e colonos, os grandes cultivos do Estado de São Paulo, as ferrovias paulistas e matas e belezas naturais. As cidades destacadas na obra são: Jundiaí, Bragança Paulista, Guararema, São José dos Campos, Taubaté, Tremembé, Pindamonhangaba, Campos do Jordão, Aparecida, Guaratinguetá, Lorena, Campinas, Pirassununga, Santa Rita do Passa Quatro, Rio Claro, Jaú, São Carlos, Jaboticabal, Barretos, Amparo, Águas da Prata, São José do Rio Pardo, Ribeirão Preto, Batatais, Sertãozinho, São Roque, Itu, Piracicaba, Sorocaba, Tietê, Botucatu, São Manuel, Martinópolis, Tatuí, Itapetininga, Itapeva, Araraquara e Bauru.

AS FERROVIAS PAULISTAS

A origem da moderna prosperidade paulista foi resultado da expansão do transporte ferroviário, inovação tecnológica que irrompeu fragorosa no sossegado universo caipira, trazendo, além da modernidade, levas de imigrantes dos recantos mais afastados do mundo, provocando um impacto cultural que fez renascer o velho brio bandeirante e impulsionou o definitivo desbravamento e a completa povoação do Estado.

A febre ferroviária teve um surto avassalador. Sob o apito estridente das marias-fumaças, qual canto de sereia irresistível, o povo paulista deixou-se encantar pelo progresso e a novidade, derrubou as velhas choupanas de pau-a-pique e empreendeu o erguimento de novas cidades e a construção de fábricas e oficinas, iniciando uma era de avanço econômico e cultural.

A estrada de ferro surgiu em São Paulo como conseqüência do desenvolvimento da atividade cafeeira, no intuito de transportar a crescente produção até Santos, o porto exportador por excelência. A partir de então, a onda verde e rubi dos cafeeiros estendeu suas fileiras de cultivo, sempre à procura de novas terras férteis, prolongando-se por todos os quadrantes do território paulista.

A partir da linha-tronco da São Paulo Railway, comunicando o planalto ao litoral, e da Companhia Paulista, extensão do eixo Santos-Jundiaí, pelo centro do Estado, abriu-se um leque de estradas de ferro, tendo, a leste, a Central do Brasil, a Mogiana, a Paulista e a Araraquarense, e, a oeste, a Sorocabana, a Alta Paulista e a Noroeste, interligadas por inúmeros ramais e pequenas estradas de ferro que chegavam até as grandes fazendas, para escoar a produção.

A expansão ferroviária foi tal que, em São Paulo, as grandes regiões geográficas passaram a ser denominadas conforme as estradas de ferro pelas quais eram servidas. Fato que não é tão inusitado se lembrarmos que a muitas daquelas regiões chegou primeiro a ferrovia, surgindo as cidades em volta das estações. Falava-se, então, em Zona da Mogiana, Zona da Paulista, Zona da Araraquarense ou ainda, com mais precisão, distinguia-se, por exemplo, entre Baixa, Média ou Alta Sorocabana.

A partir de 1939, como resultado da Segunda Guerra Mundial e com a conseqüente queda na demanda de café, arrefeceu o ímpeto de expansão das estradas de ferro, tendo início o começo do fim da era ferroviária no Estado de São Paulo.

O principal motivo de decadência talvez fosse o fato de as ferrovias, atendendo aos interesses específicos dos cafeicultores, estarem demasiado direcionadas para o transporte de café, embrenhando-se por regiões de alta produção, mas sem nenhuma vocação industrial que permitisse redirecionar as atividades quando veio a crise. Além disso, no pós-guerra, o transporte rodoviário tornou-se uma opção mais rápida e flexível para o transporte de carga e passageiros, não sujeita a horários rígidos e permitindo o atendimento porta a porta.

Em 1971, numa última tentativa do governo paulista para recuperar a prosperidade das estradas de ferro, por meio da unificação da malha ferroviária, foram integradas as cinco ferrovias já estatizadas: Mogiana, Sorocabana, Paulista, Estrada de Ferro Araraquara e São Paulo-Minas, dando origem à Fepasa. Mas a idade de ouro do trem já tinha findado. Hoje, além dos comboios destinados ao transporte de carga, sobrevivem apenas algumas pequenas ferrovias turísticas.

Da época áurea das estradas de ferro restaram muita saudade, estações arruinadas, locomotivas e vagões abandonados. Foi extinta também uma vasta comunidade ferroviária de maquinistas, foguistas, mestres-de-linha, guardas de pontes, inspetores de locomotivas, telegrafistas, caldeireiros, guardas-porteiras, chefes-de-chaves, empregados de carros-restaurantes, zeladores de sala de espera e chefes de estações, que, quase sem exceção, cultivavam como adereço um frondoso bigode, o qual, junto aos coloridos quepes com os emblemas da companhia, referendava a dignidade de seus cargos.

 

 

 

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