SOLARIS EDIÇÕES CULTURAIS
Nau Brasilis:  a história, a trajetória e a retomada da construção  naval brasileira
Autor: Carlos Cornejo

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O Padre Eterno, maior galeão construído no mundo no século XVII, de onde se deriva a denominação da Ponta do Galeão, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Mandado construir em 1659, por Salvador Correia de Sá e Benevides, Governador e Capitão-geral da Capitania do Rio de Janeiro, sob a direção de Sebastião Lambert, sua construção prolongou-se durante quatro anos, e foi lançado ao mar no Natal de 1663. Incorporado à Marinha Portuguesa, fez sua primeira travessia do Atlântico rumo a Lisboa em 1665. A chegada àquele porto do maior galeão até então construído no mundo chamou a atenção das potências estrangeiras. Esta gravura, mostrando o navio em Lisboa, é a única imagem conhecida do galeão Padre Eterno e consta na obra Du Globe Terrestre (Tomo I, ilustração XCII, página 257), de autoria do cartógrafo Alain Manesson-Mallet (1630-1706), publicada em Paris, em 1683, que aquele autor destacava como sendo “o maior navio construído no século, com um comprimento de 180 passos na quilha, dotado de seis conveses, 160 portinholas e igual número de canhões, capacidade para quatro mil caixas de açúcar de 1.500 libras cada e 2.500 rolos grossos de tabaco, podendo transportar de três a quatro mil homens”, no que parece ser uma descrição um pouco exagerada, visto que, segundo outras fontes, o Padre Eterno teria aproximados 53 metros de comprimento, capacidade para o transporte de duas mil toneladas de carga e era dotado com 144 peças de artilharia (armamento que superava o de muitas fortalezas na época). Afirma-se, também, que seu mastro principal era feito de um único tronco, com quase três metros de circunferência na base. Segundo Mallet, em 1683, o Padre Eterno achava-se abandonado num pequeno porto do Rio Tejo, perto de Aldeia Galega, a três léguas de Lisboa. Posteriormente, aquele imenso galeão, que representa uma época e é um dos superlativos da construção naval brasileira, teria naufragado no Oceano Índico. Gravura do acervo de Carlos Cornejo.

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