SOLARIS EDIÇÕES CULTURAIS
Nau Brasilis:  a história, a trajetória e a retomada da construção  naval brasileira
Autor: Carlos Cornejo

51nau

A Batalha Naval de Riachuelo, óleo de Eduardo de Martino, do acervo do Museu Naval, no Rio de Janeiro, da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Reprodução de Marcelo Lerner. Travada em 11 de junho de 1865, às margens do Arroio Riachuelo, afluente do Rio Paraguai, na província de Corrientes, na Argentina, foi uma das mais decisivas batalhas da Guerra do Paraguai (1864-1870). A Esquadra brasileira, comandada pelo Chefe de Divisão Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, era composta por nove unidades: a fragata a vapor Amazonas (em destaque), as corvetas Beberibe e Belmonte, a corveta mista a hélice Parnaíba, as canhoneiras a vapor Araguarí, Jequitinhonha e Mearim, a canhoneira mista Iguatemi e a corveta a vapor Ypiranga. A Esquadra paraguaia, composta por oito navios e seis chatas artilhadas, a reboque, sob o comando do Capitão de Fragata Pedro Ignacio Mezza, entrou em combate decididamente, sendo a primeira fase da batalha adversa para o Brasil: a Belmonte ficou fora de ação, a Jequitinhonha encalhou e a Parnaíba, com avaria no leme, foi abordada e dominada pelo inimigo, apesar da resistência heroica de bravos como o Guarda-Marinha Greenhalgh e o Marinheiro Marcílio Dias, que lutaram até a morte. Diante daquele quadro, os brasileiros arremeteram novamente e o Almirante Barroso, a bordo da capitânia Amazonas, dando exemplo de bravura, abalroou três navios paraguaios: o Jejuy, o Marquês de Olinda (tomado dos brasileiros em Mato Grosso) e o Salto, além de uma chata artilhada, pondo-os a pique, ante o qual os restantes navios inimigos bateram em retirada. A vitória de Riachuelo foi decisiva para a Tríplice Aliança, já que o Paraguai, isolado, perdeu a iniciativa no decorrer das hostilidades. Da frota brasileira, a corveta a vapor Ypiranga era de construção nacional, produzida pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, com projeto de Napoleão Level. A Ypiranga, primeiro navio de guerra propulsionado a hélice, em lugar de rodas laterais, construído no Brasil, foi lançada ao mar em 23 de setembro de 1854, tinha 39 metros de comprimento e deslocava 350 toneladas. Durante a Guerra da Tríplice Aliança, além da Batalha Naval de Riachuelo, em 1865, participou na proteção ao desembarque de tropas pelo Exército no Passo de Vitória, em 1866, e no bombadeio e passagem de Curupaiti, em 1867.

Navegar por todas as fotos.