SOLARIS EDIÇÕES CULTURAIS
Nau Brasilis:  a história, a trajetória e a retomada da construção  naval brasileira
Autor: Carlos Cornejo

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A Passagem de Tonelero, em 17 de dezembro de 1851, quando a Força Naval Brasileira, comandada pelo Chefe de Esquadra John Pascoe Grenfell, enfrentou as Fortificações do Passo do Tonelero, difícil passagem do Rio Paraná, em território da atual Argentina, no contexto da Guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), quando foi impedida a livre navegação por aquele rio. A Força avançou sob o fogo dos partidários de Juan Manuel de Rosas (1793-1877), na margem direita do rio, sobre a Barranca Acevedo, com fortificações e baterias guarnecidas por dois mil homens. A Passagem foi encabeçada pela fragata a vapor Dom Afonso, a nave-capitânia, levando a reboque a corveta Dona Francisca, e, a seguir, o vapor Dom Pedro II, rebocando a corveta União, e o vapor Recife, rebocando o brigue Calíope, navegação em pares que compensava a deficiente artilharia dos vapores a rodas, aumentando o poder de fogo com os numerosos canhões dos navios a vela, os quais precisavam ser rebocadas devido às dificuldades que encontravam na navegação fluvial. Todos os navios transportavam tropas aliadas e arvoravam tanto a bandeira brasileira quanto a argentina. A passagem foi vencida em 80 minutos, com a vitória brasileira restabelecendo a navegação pelo Rio Paraná. À esquerda, observa-se o vapor D. Pedro, que seria utilizado como rebocador em caso de necessidade. Os vapores de guerra acionados por rodas de propulsão lateral Recife, Pedro II, e D. Pedro foram construídos no Estaleiro da Ponta d’Areia, de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. O vapor de rodas Recife, construído para o Governo, com 50,59 metros de comprimento, foi lançado ao mar em 29 de setembro de 1849 e incorporado em 7 de novembro de 1850. Em 1864, durante a Guerra do Paraguai, transportou parte das tropas que sitiaram e tomaram o Forte de Sebastopol, em 7 de dezembro de 1864, e a Praça Forte de Paysandú, em 2 de janeiro de 1865. O vapor de rodas Dom Pedro II, com 54,55 metros de comprimento, foi lançado ao mar em 13 de maio de 1850 e incorporado à Marinha em 22 de fevereiro de 1851. O vapor de rodas D. Pedro, lançado ao mar em 1849, tinha 36,27 metros de comprimento e deslocava 124 toneladas. Construído pelo Estaleiro da Ponta d’Areia, foi comprado do Barão de Mauá e armado em guerra em 4 de agosto de 1849. Óleo de Eduardo de Martino. Acervo do Museu Naval, Rio de Janeiro. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Reprodução de Marcelo Lerner.


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